Smile from the streets you hold

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Me vê um cavalo branco sem príncipe, por favor.

Me vê um cavalo branco sem príncipe, por favor.

Nobres amigos mafiosos.

Nobres amigos mafiosos.

Joana, uma amiga.

Joana, uma amiga.

Você passa a prestar muita atenção na mulher que veio morar na casa amarela da vila. Morenos, ela e o marido, ele um pouco mais escuro. Você sabe que ele trabalha à noite, no pesado. Já escutou, no bar, neguinho dizendo que homem que tem trabalho noturno não dá conta do recado em casa. Então você olha com mais capricho toda vez que a mulher passa em frente à oficina: a caminho da padaria ou do mercadinho de verduras ou, de banho tomado, à tarde, na direção do ponto de ônibus para o centro. Até que um dia ela olha de volta, curiosa. Você cumprimenta, fingindo respeito. Bem nesse dia ela veste uma calça vermelha, justa. Infernal. Na próxima vez, você já sabe, deve sorrir na hora do cumprimento. O marido trabalha à noite, não dá conta do recado. Pelo menos é o que você pensa. Até descobrir que não é bem assim. Mas aí será um pouco tarde. Como é que você ia adivinhar que o cara é da PM se não fosse a mulher contar, rindo, na cama?
do conto Dez maneiras infalíveis de arranjar um inimigo, do livro Faroestes, de Marçal Aquino.


“Antes de ir para casa, permaneci algum tempo sentado numa praça perto do edifício, vendo os vagabundos e velhos que circulavam por ali àquela hora. E depois de um bom tempo sem fumar, acendi um cigarro e traguei longamente, o que me deu até uma certa vertigem. Um velho que estava sentado próximo perguntou se eu não sabia que fumar faz mal. Eu olhei para o seu rosto enrugado, seus olhos pequenos e brilhantes e para o chapéu em suas mãos. E tive vontade de dizer a ele que viver também faz mal. Mas fiquei com receio de estragar as possíveis ilusões que ele ainda tinha. E fui embora”.

Do conto Onze Jantares, do livro As Fomes de Setembro, de Marçal Aquino.

morro da caixa vida loka 01:01 am,  em tb

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